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JORDHAN LESSA

Palestrante, Escritor e Coach de Diversidade

¨Obstinado por ajudar a transformar vidas¨

 

 

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2016 o ano que ainda não terminou em 2018

 

O ano de 2016 foi um ano pesado, 12 meses de muitos acontecimentos que ainda parecem não ter terminado.

Particularmente, para mim, foi um ano de grandes perdas, ano bissexto que com um dia a mais mudou minha história.

Depois veio 2017 que passou voando e quase não tenho lembranças, mas foi um ano de novas experiências e novas relações e então chegou 2018...pensei que seria diferente e até foi, mas aquele gostinho de 2016 ainda persistiu até quase agora.

Estamos quase no final de mais um ciclo de 12 meses que foram frenéticos ao extremo, de repente era Carnaval, Páscoa, Copa do Mundo (que só lembrei outro dia) e eleições.

 

Ahhhh...as eleições, não me lembro nos meus 51 anos de vida de ter vivido momentos tão tensos e diria até dramáticos, muitas brigas, muitas agressões, muitos laços desfeitos tanto de amizades quanto familiares e muitas mágoas para todo lado, muitos feridos na alma de ambos os lados. Sim, ambos os lados, pois os radicalismos extremos nos dividiram de tal forma que está difícil juntar novamente e creio que seja praticamente impossível voltar ao estado anterior.

 

Descobrimos com este pleito eleitoral as pessoas próximas que pensávamos, durante quase uma existência inteira, serem nossas amigas e aliadas que verdadeiramente usavam máscaras que pareciam reais demais e nos decepcionamos quando as vimos cair e deixar aparecer a face do preconceito, da intolerância e do desrespeito.

 

Final triste para muitas famílias e amigos que esqueceram que não se tratava desta ou daquela opinião política – partidária, mas sim de vidas, de muitas vidas que foram ceifadas não só pelo corpo físico, mas também e dolorosamente no sequestro de nossas alegrias, planos de paz e de futuro. E não venham me dizer que “não foi bem assim” por que estou cansado demais para continuar debatendo algo que o tempo já está nos mostrando, basta ver nas redes sociais meus amigos e amigas, que têm condições de fazê-lo, deixando o Brasil, indo embora sabe-se lá para onde e em que situação psicológica.

Muitas saudades de quem parte e de quem fica é só um dos legados que 2018 está nos deixando.

 

Mas...apesar de tudo e de todos, estamos aqui, sim, EU NÃO DEIXAREI MEU PAÍS, MINHA FAMÍLIA, MEU TRABALHO, e tudo mais que faz parte de mim, continuarei por aqui fazendo o meu melhor, de alguma maneira tentando ajudar outres iguais a mim ou não, pois penso que precisamos mostrar o nosso melhor justamente quando as situações não estão favoráveis, por que é assim que vencemos as batalhas sejam aqui ou acolá.

 

Depois desta reflexão em retrospectiva, quero deixar o meu recado de final de ano especificamente para as pessoas trans e amigues que restaram ao nosso lado na luta.

Sei que muitos sabem o que significam as festas de final de ano para a maioria de nós, mas sei também que grande parte das pessoas que nos cercam não têm a menor ideia do real significado do mês de dezembro para uma pessoa trans, então vamos lá!

 

 

FINAL DE ANO PARA QUEM É

TRAVESTI, MULHER TRANSEXUAL OU HOMEM TRANS

 

Para você que me lê possa ter uma ideia mais próxima do que vou contar, preciso lhe pedir que pare por alguns segundos, feche seus olhos e se imagine como um de nós...não será fácil esta tarefa, mas necessária para que alcance com o coração as minhas palavras.

Para te ajudar faça assim: imagine-se diante do espelho e sinta que a imagem refletida não é você, veja que cada traço do seu corpo parece estar fora do lugar, de repente um nó na garganta parece te sufocar e a vontade de chorar até morrer brota de seus olhos, inunda o seu rosto e você tem vontade de sumir para que ninguém te veja assustado (a) arrasado (a) e perdido (a) entre tantas dúvidas e medos que nem mesmo sabe explicar quais são.

 

Passado este momento te chamam na sala para participar da festa da família e fazem questão que a roupa nova que ganhou seja o centro das atenções, se for "menino" dirão “Que rapaz lindo e crescido você se tornou, um homão lindo! ” se for uma "menina" será ao contrário “Que bonequinha linda do papai e da mamãe você está com este vestidinho rosa!”

 

Você tem vontade de sair correndo, mas não pode, por que logo te abraçam, te beijam, te afagam e esses contatos te fazem sentir ainda pior, mas você ainda é uma criança, não tem muito o que fazer e reza para a noite acabar, o ano acabar e que demore bastante para o próximo Natal e Ano Novo chegar.

 

Crescemos e nos reconhecemos como pessoas trans, alguns de nós fizeram a tão sonhada transição, outres ainda não e é preciso respeitá-los, pois são tão trans como quem já fez.

Nos tornamos a imagem que nos representa diante do espelho, porém as dores... Elas continuam ali doendo e se misturando as dores do passado que voltam à tona e abrem velhas cicatrizes.

 

Encontros familiares, quando existem, são difíceis de serem momentos de alegria e confraternização.

São nomes que não respeitam e insistem em nos chamar pelos nomes que ferem nossos ouvidos com a mesma desculpa de sempre “ É difícil me acostumar, precisamos de tempo para entender a sua mudança” ou “ Não vejo necessidade disso, não entendo por que faz tanta questão ” desta forma são criados imensos abismos e todos se sentem incomodados com a nossa presença, até aqueles que tentam disfarçar.

 

Encontro de amigos também é difícil, quem tem amigos verdadeiros sendo trans?

Esta é uma pergunta que pouquíssimos podem responder com um “sim” pois até eles e elas nos julgam e se afastam por não nos entenderem ou não quererem entender e ninguém pode ser amigo de quem não nos respeita, não é mesmo?

 

Então como é o nosso final de ano?

Triste.

Cheio de perguntas e poucas ou nenhuma resposta, cheio de lacunas e espaços vazios, cheio de saudades e lágrimas que ainda teimam em rolar, mesmo depois de tanta luta e tantas já rolarem.

 

Não pensem que comigo é diferente, pois não é.

Nessa época do ano me pergunto: Onde estão os “amigos e amigas” que durante o ano inteiro me deram tapinhas nas costas ou fizeram algum elogio por algum trabalho realizado?  

Provavelmente estão em suas casas com seus familiares ou viajando com amigos...não importa, o que quero dizer é que para nós, finais de ano tem sabor amargo que só se intensifica com o passar do tempo.

 

Qual a nossa saída?

Juro que não sei, mas o que sei é que desistir e continuar chorando não faz mais parte dos meus planos.

Descobri há algum tempo que ninguém nos faz mal, nós é que permitimos que nos façam. Descobri também que é preciso crescer e crescer não é fácil e dói, mas só assim é possível entender que não nascemos para mendigar amor e quem verdadeiramente gostar de nós vai nos respeitar e fazer questão de estarmos presentes em suas vidas!

 

Aos meus amigos e amigas trans e travestis deixo um ENORME ABRAÇO CHEIO DE CARINHO para que saibam que nossas dores são nossas, mas as nossas vitórias também e no próximo ano estaremos novamente na luta, como estivemos em todas até aqui!

 

Desejo de coração para você algo que demorei a aprender, mas que faz total diferença em minha vida:

Aprendi a transformar a dor em algo positivo, em aprendizado e em razão para contar histórias, por que NÓS NÃO NASCEMOS PARA SER UM NADA!

 

FELIZ NATAL TRANS 2018 E QUE VENHA 2019!!!

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JORDHAN LESSA

Consultor & Palestrante

falando sobre Diversidade

 

Vamos Conversar?

 

 

Acredito que ter sobrevivido até os dias atuais, com 51 anos completos, da melhor maneira possível, bem resolvido profissionalmente, afetivamente e no âmbito familiar, seja parte da missão que tenho nessa existência.

 

No meu primeiro livro Eu trans - A Alça da Bolsa - Relatos de um transexual - (Ed. Metanoia 2014) e aqui nesse site, você terá acesso a uma importante parte da minha história de vida e entenderá que não foi nada fácil, mas que é possível superar as barreiras e a si mesmo para alcançar um objetivo que seja justo e digno.

 

O meu segundo livro - Quem Somos - (produção independente 2018) na verdade é um pequeno livreto que traz informações básicas para facilitar o nosso início de conversa, são questões simples, mas que na maioria das vezes passam sem nos darmos conta, causando grande desconhecimento e confusão.

 

Por isso me coloco à disposição para colaborar com todos que se dispuserem a ser e fazer o seu melhor nesse mundo, entendendo as diferenças para respeitá-las e nos tornarmos todos, todas e todes, pessoas melhores, pois só assim teremos VERDADEIRAMENTE  um mundo melhor!

 

O que podemos fazer:

Atendimento individual, grupos (famílias, religiosos, educadores e profissionais diversos) e empresas que queiram estar alinhadas com as mudanças pelas quais passa a sociedade, pois é fato que muitas questões sairam do lugar antes conhecido e com o qual estávamos acostumados, mas ainda não encontraram o lugar do novo encaixe, pode ser que até não tenhamos mais lugares fixos de encaixe e durante essa transição é preciso entender qual o nosso papel para nos ajudarmos e evoluirmos juntos.

 

Para os familiares, grupos e comunidades em geral é a oportunidade de refazer laços de carinho e afeto na busca por, 

 

ENTENDER - RESPEITAR E AMAR.

 

Para empresários é fundamental saber como atender o público, seja cliente ou colaborador, de forma respeitosa e alinhada com as novas perspectivas, visto que os índices de sustentabilidade (ISE) abrangem entre outras questões a responsabilidade social onde está incluído o respeito à DIVERSIDADE.

Como preparar seu RH para adequações necessárias de acordo com a legislação vigente que trata especificamente das pessoas transgêneros?

O que pode e não pode?

O que é identidade de gênero, orientação afetiva/sexual, pessoas cis e pessoas trans?

O que temos sobre saúde?

Nome social?

Retificação de nome e gênero?

Cidadania, educação, segurança e tudo que faz dos direitos civis para todos.

 

São muitas as questões para serem respondidas e eu estou aqui para ajudar nas respostas.

Se a minha proposta lhe parece interessante preencha o formulário abaixo e vamos conversar, afinal, é conversando que a gente se entende!  

 

 

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